Quase tudo que você queria saber sobre tectônica, mas tinha vergonha de perguntar.*

* AMARAL, Izabel. Quase tudo que você queria saber sobre tectônica, mas tinha vergonha de perguntar. Pós. Rev Programa Pós-Grad Arquit Urban. FAUUSP [online]. 2009, n.26, pp. 148-167. ISSN 1518-9554. O presente artigo corresponde a uma parte da tese de doutorado, em andamento, intitulada Tensions tectoniques du projet d’architecture: Etudes. Izabel Amaral,é arquiteta e urbanista (UFPE, 2000), com mestrado em História e Teoria da Arquitetura (PPGAU-UFRN, 2004), é doutoranda no programa de Ph.D. em Aménagement da Universidade de Montreal, Canadá, bolsista da Capes e assistente de pesquisa no Leap – Laboratoire d’étude de l’architecture potentielle. comparatives de concours canadiens et brésiliens (1965-2005).

Este post é uma resena do texto de Izabel Amaral e busca estudar alguns dos significados da palavra tectônia, algumas vezes citadas em analises projetuais de obras arquitetônicas, a qual não damos o devido sentido ao seu significado.

Podemos verificar neste artigo que a palavra tectônica ate hoje não possui uma definição esclarecida e pode-se tomar diversos significados dependendo do autor. Mas podemos analisar esta palavra através de alguns teóricos que a usam tentando explicar algo que ainda é inexplicável, o momento em que a construção se torna arquitetura,  talvez por isso não tenhamos conseguido definir ao certo o que de fato significa tectônica.

Este artigo não tenta definir o termo tectônica, mas busca através da historia e de autores consagrados demonstrar as variadas definições desta expressão. O texto tenta nos mostrar a variedade de sentidos associados ao termo tectônica durante os dois últimos séculos, que levaram a uma grande ambiguidade na aplicação do termo, ate hoje encontradas. De um lado a compreensão dos sistemas de construção na qual a lógica deste sistema é deixada aparente, frequentemente definida com a “a arte da construção”, e por outro lado à arte da fabricação na qual a construção é o veiculo de sua expressão artística, promovendo a noção de “potencial de expressão construtiva” da arquitetura, capaz de reunir aspectos culturais e estéticos.

Segundo a autora, estes discursos surgiram em momentos de crise na disciplina, no século 19 e final do século 20. Em debates críticos do ecletismo e pós-modernismo respectivamente em Gottfried Semper[1] com seus estudos na arquitetura grega e Kenneth Frampton[2] com os estudos de tectônica em relação aos grandes mestres do modernismo. Em ambas as argumentações encontra-se a preocupação  com as relações legitimas da forma arquitetura à sua matéria física, na qual ambos afirmam pertencer tanto a esfera material e técnica quanto a simbólica. Semper e Frampton referem também a questões da qualidade arquitetônica e ao bom fazer arquitetônico na qual a estética deve ser vista como um compromisso ético com a matéria construtiva. Baseiam-se também nas distinções entre arquitetura e construção.

No caso se Semper, a cabana, e os quatro elementos primários formadores da arquitetura: têxtil, cerâmica, estereotomia e tectônica e no caso de Frampton temos: topografia, metáfora corporal, etnografia e tipologia.

Para eles estas reflexões sobre materialidade passam pelas discussões de estilos para finalizar em noções de espaço, tendo a tectônica como palavra chave.

O mais importante é que a tectônica pode guardar, acima de tudo, uma abordagem preferencialmente teórica e pedagógica. Uma das contribuições mais recentes em relação a este tema é o livro coletivo Le projet tectonique[3] na introdução o próprio Kenneth Frampton mostra sua visão mais atual sobre o tema. Já o congresso realizado em Eindhoven,  na Holanda, intitulado Tectonics 2007: making Meanings [4] trouxe uma abordagem multidisciplinar. Na ocasião foi feito um concurso estudantil para elaborar projetos onde expressassem a tectônica da tranquilidade, do relaxamento, da biomecânica, da prepotência, entre outros temas que ninguém jamais pensaria associar à tectônica.


[1] SEMPER, Gottfried (1860, 1863). Style in the technical and tectonic artsor, practical aesthetics. Introdução de Harry Francis Mallgrave; tradução de Harry Francis Mallgrave e Michael Robinson. Título original: Der Stil in den technischen und tektonischen Künsten; oder, Praktische Aesthetik: Ein Handbuch für Techniker, Künstler und Kunstfreunde. Los Angeles: Getty Research Institute, v. 2, 2004, 980p.

[2] FRAMPTON, Kenneth. Studies in tectonic cultureThe poetics of construction in nineteenth and twentieth century architecture. John Cava (E.). Cambridge: MIT Press, 1995, 430 p. il. As primeiras reações ao trabalho de Frampton aparecem nos números dedicados à tectônica da revista Any Architecture, Nova York (n. 14, 1996) e da revista suíça Faces (n. 47, 1999-2000). Para uma visão completa da recepção do trabalho de Frampton, ver LEGAULT (2005).

[3] Organizada pela professora Sonia Marques, ainda sem editora. Esse livro é fruto do evento Grands Ateliers de l’île d’Abeau, realizado em Lyon em 2001. Temos de ressaltar, aqui, as contribuições de Réjean Legautl e Cyrille Simonnet sobre a história do conceito de tectônica; Pierre Boudon sobre a dimensão filosófica da tectônica e a filosofia da natureza; Chris Younès sobre as relações entre tectônica e fenomenologia; e os textos de Jean-Pierre Chupin e Antoine Picon, que tratam da relação entre arquitetura, virtualidade e materialidade. In: CHUPIN, Jean-Pierre; SIMONNET, Cyrille (Orgs.). Le projet tectonique. Introdução de Kenneth Frampton. Gollion: Infolio, 2005, 222p.

[4] Tectonics 2007: Making Meaning. Eindhoven: TU/e – Technische Universiteit, Eindhoven, dez. 2007. “It is a word that covers the co-evolution of the production,or making of buildings and their design with reference to thepurpose for which they are built and the technology employed in their making. Within the framework of the  conference this concept was used to focus on the close cooperation of the various disciplines within the building industry, from the planner to architect and from the structural engineer to the project developer. A major theme was the considered production of buildings within the fast changing context of our social and natural environment.” Disponível em: <Error! Hyperlink reference not valid.;. Acesso em: 15 dez. 2008.

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