“Veritas est adaequatio rei et intellectus” e seus significados

o falarmos de essência e da idade media, devemos retomar a frase de São Tomas de Aquino “Veritas est adaequatio rei et intellectus” . O motivo desta retomada é pelo fato de que não foram encontradas traduções esclarecedoras quanto as encontradas em filosofia. Neste sentido, sugerimos uma abordagem um pouco diversa da tradução “verdade é o significado dos fatos“, comumente usada e a qual julgamos não fazer sentido sob a ótica estudada aqui.

Leite (2007,), aborda em sua dissertação o sentido da palavra adaequatio que pode ser definindo como a relação igual entre duas coisas. Podendo unificar as noções de rei (coisa) e intellectus (intelecto). Veritas rei é caracterizado pela entidade coisa. A entidade da coisa é a condição de possibilidade para que o intelecto se conforme a ela. No entanto, segundo São Tomas de Aquino, a coisa natural não pode se adequar ao intelecto criador. Em outras palavras, um artefato (coisa) deveria se conformar ao intelecto do artífice (criador). Mas, quando consideramos a palavra Veritas, o sentido muda e seria o intelecto criador que deveria se conformar ao artefato em si, e não ao contrário. Ainda, segundo São Tomas de Aquino, o intelecto criador deve se adequar à coisa natural, pois a verdade é a mesma para todos e a entidade coisa, sempre será a mesma. Isso também é definido na teoria de Aristóteles, De interpretatione, em que as palavras faladas são signos que definem a essência das coisas, e mesmo ao se falar idiomas diferentes, a essência das coisas é a mesma, pois as coisas em si, das quais atribuímos as palavras, são as mesmas. Dessa maneira, a obra estaria relacionada ao intelecto do arquiteto criador, sendo esta formada de coisas independentes. Neste sentido, podemos sugerir que a linguagem arquitetônica que Mies buscava descobrir, estaria relacionada a essência das parte que compõe um obra arquitetônica, e essa essência segundo São Tomas é igual em qualquer estância, sendo apenas o intelecto que é modificado.

Do mesmo modo, o sublime, para Mies, estava na qualidade do próprio material, usado na construção e na manifestação de sua essência, através dos detalhes mais apurados e eliminando o supérfluo.

E, assim, “Veritas est adaequatio rei et intellectus” pode ser visto como: a verdade é expressada através da adequação entre o objeto e o intelecto.

*LEITE, Thiago Soares. Tomás de Aquino e o conceito de Adaequatio. Dissertação de mestrado apresentada na Universidade católica do Rio Grande do Sul. 2007.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s